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Vou falar pra vocês uma história. É, sou eu.
Em alguns momentos da vida você acorda sem destino, ininterrupto no desespero. Do quê? Se soubesse, já tinha resolvido. Então você procura o relógio e lembra que deixou de comprar pilhas. Poe quê? É, essse não sou eu.
Quem sou eu é uma pergunta tão besta que se você não sabe então vá para: “Se eu nem sei, então vou andar e começar a procurar.” - Esse sou eu.

Gosto dos ponteiros de relógio; o tempo sempre corre, voa alto, leve e constante. Cada ponteiro em seu devido tempo movendo-se de acordo com sua devida energia ou, até mesmo, para os céticos, engrenagem. Alguns o chamam de destino, outros, de piada infame; chamo de acaso.
Programado ou não o acaso do encontro dos ponteiros é uma bela vista, difícil de ser percebida ou flagrada, mas existe. Cada um em seu tempo, vivem sua vida seguindo sempre adiante com devaneios tolos que os ficam a torturar, mensageiros de boas preces e ares não poluídos torcendo para a Santa Pilha não acabar. Clamam ao acaso!
Alguns podem chamar de magnetismo essa energia que os move e os faz sempre se encontrarem, uma força tal que: distantes, os puxa; próximos, os expele.Triste vida de um policarpo qualquer caso fosse essa a sua rotina! Na verdade, não acredito que seja magnetismo, acredito que a grande beleza do relógio é a liberdade concedida pelo acaso para que cada um possa seguir em seu próprio tempo sabendo que o encontro dos ponteiros uma hora ocorre, cada hora em seu devido número.
Alguns relógios possuem apenas dois ponteiros, outros já possuem a tecnologia do segundo, já outros, do décimo, milésimo.. Surubas ponteirísticas de lado, a Igreja Católica não possui mais poder para censurar o sexo dos ponteiros e isso os torna ainda mais atraentes quando juntos.
O relógio é atraente pois nele vemos ciclos, cada um em seu devido tempo que temos ou não a oportunidade de vislumbrar o encontro. Apetece ainda mais quando percebemos que a poesia não reside no caminhar conjunto e muito menos na certeza do encontro mas sim no acaso do encontro perante tantas outras oportunidades de não encontro, afinal, quanto maiores os ponteiros, maiores os encontros. Quanto mais açúcar, menos açúcar.
Sublimo o passo e compasso próprios, ouso e diversifico o acaso, acendo e ascendo ao horizonte do tempo e torço como Caio Fernando Abreu para que seja doce mas, afinal, ele só queria que fosse doce pois já estava cansado do amargo.
Se for doce e cansar: que seja azedo, então.

Pode ser bipolaridade, estafa ou apenas insatisfação: tem horas que cansa. Não sei se é uma rotina ou se é a impotência em fazer muita coisa, se é apenas descontentamento pelos planos que não deram certo ou apenas insatisfação em confiar ou, quem sabe, apenas a pitada de mágoa em confiança não devida.
Muitas vezes me perco em meros devaneios tolos que ficam aqui a me torturar, sensibilidade vesga ou apenas vontade de sentir-se mártir pagando pena? Sabe-se lá… i just wanna push the red button quando coloco pesos mais do que posso carregar (o que é inerente e mais do que comum pra mim).
Uma meia verdade seria dizer que ilusões são frágeis e a potência é o desânimo, ou aos otimistas: meros devaneios tolos que ficam a torturar são presságios de bons ventos, ou ainda que de tempos em tempos há uma pedra de isopor que apenas faz parte do cenário… Sabe-se lá…
Se ainda eu fosse adolescente eu diria que o tempo sou eu que faço (e como eu disse isso!), hoje em dia: sabe-se lá..
Sabe-se lá, sabe-se acá, sabe-se lá longe ou aqui perto.. vai saber..
Deve ser o sono ou a falta dele. Deve ser solidão da madrugada ou o frio, a falta de café ou chá; falta de música ou de acorde, falta de Sol ou apenas falta de açúcar mesmo (afinal, não consumo açúcar há dois dias). Ao menos existe um consenso:
é falta.

Sentir distância é acalentador inúmeras vezes, por umas chega a ser um alívio de algo que sufoca e não dá um tempo, por duas trata-se de desespero que acalenta a dúvida e, outras, por três: é algo inesperado que não ocorre pela vontade.
A distância é ótima por vezes quando se têm coisas a fazer e também pra se aproximar dos pensamentos que deveriam andar contigo. Sinto-me tenso pois agora eu não esperava distância, queria proximidade, e isso não deprime mas incomoda.
Sei que tenho escrito por períodos curtos, mas a verdade é essa. Curto, proximidade, contato. O que me conforta é que tenho imaginação e pensamento rápido e me digo: a distância aparente é devaneio, e devaneios, quando não apetecedores, tendem a passar.
Que passe, que fique próximo; que seja doce.
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| A idéia por trás deste blog é ilustrar em torno do que elucubra por natureza e imediatamente apetece. Demonstrar através de beings, imagens e pensamentos, um olhar lúdico que por um espasmo surge com criatividade. O objetivo é tirar do senso, desrobotizar padrões e comportamentos, colidir a cultura de massa, iluminar tendências 1 e 2.0, suscitar o design como arte, a música como expressão e não produto e, por fim, apresentar minha entrega à poiesis. |
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