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Gosto dos ponteiros de relógio; o tempo sempre corre, voa alto, leve e constante. Cada ponteiro em seu devido tempo movendo-se de acordo com sua devida energia ou, até mesmo, para os céticos, engrenagem. Alguns o chamam de destino, outros, de piada infame; chamo de acaso.
Programado ou não o acaso do encontro dos ponteiros é uma bela vista, difícil de ser percebida ou flagrada, mas existe. Cada um em seu tempo, vivem sua vida seguindo sempre adiante com devaneios tolos que os ficam a torturar, mensageiros de boas preces e ares não poluídos torcendo para a Santa Pilha não acabar. Clamam ao acaso!
Alguns podem chamar de magnetismo essa energia que os move e os faz sempre se encontrarem, uma força tal que: distantes, os puxa; próximos, os expele.Triste vida de um policarpo qualquer caso fosse essa a sua rotina! Na verdade, não acredito que seja magnetismo, acredito que a grande beleza do relógio é a liberdade concedida pelo acaso para que cada um possa seguir em seu próprio tempo sabendo que o encontro dos ponteiros uma hora ocorre, cada hora em seu devido número.
Alguns relógios possuem apenas dois ponteiros, outros já possuem a tecnologia do segundo, já outros, do décimo, milésimo.. Surubas ponteirísticas de lado, a Igreja Católica não possui mais poder para censurar o sexo dos ponteiros e isso os torna ainda mais atraentes quando juntos.
O relógio é atraente pois nele vemos ciclos, cada um em seu devido tempo que temos ou não a oportunidade de vislumbrar o encontro. Apetece ainda mais quando percebemos que a poesia não reside no caminhar conjunto e muito menos na certeza do encontro mas sim no acaso do encontro perante tantas outras oportunidades de não encontro, afinal, quanto maiores os ponteiros, maiores os encontros. Quanto mais açúcar, menos açúcar.
Sublimo o passo e compasso próprios, ouso e diversifico o acaso, acendo e ascendo ao horizonte do tempo e torço como Caio Fernando Abreu para que seja doce mas, afinal, ele só queria que fosse doce pois já estava cansado do amargo.
Se for doce e cansar: que seja azedo, então.
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| A idéia por trás deste blog é ilustrar em torno do que elucubra por natureza e imediatamente apetece. Demonstrar através de beings, imagens e pensamentos, um olhar lúdico que por um espasmo surge com criatividade. O objetivo é tirar do senso, desrobotizar padrões e comportamentos, colidir a cultura de massa, iluminar tendências 1 e 2.0, suscitar o design como arte, a música como expressão e não produto e, por fim, apresentar minha entrega à poiesis. |
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